
Ele vai aprendendo com aquilo que irá sentir, ver, ouvir e tirará as suas próprias conclusões. Conclusões essas que não estão baseadas em análises de factos e pensamentos, como aquelas que um jovem ou um adulto sente. Sendo apenas, simples sensações.
Como a auto-estima tem um início secular na pessoa, serão os pequenos gestos, e os sentimentos gerados enquanto criança que impulsionarão em parte a auto-estima que a pessoa terá quando adulta.
Se quando um bebé chora porque está doente, molhado ou tem fome, chega a sua mãe (ou outro adulto) e a pega nos braços, acaricia, fala com suavidade e elimina o mal estar, por norma o bebé irá ficar mais tranquilo. Pois ele sente que está seguro e é querido, que alguém está sempre ali, para cuidar dele e evitar que ele sinta dor. Ou seja, de alguma forma, o bebé sabe que ele é importante.
Obviamente, que o bebé não racionaliza as coisas de uma forma como você e eu, mas vive as emoções e as sensações de segurança, de ser querido, importante e de confiança. Coisas essas que são a base de toda e qualquer elevada auto-estima.
Por outro, se as necessidades do bebé não são atendidas ou a pessoa que cuida dele é brusca e fria, o bebé sentir-se-á incomodado, tenso e inseguro.
Quando crianças, as pessoas tendem a pensar que tudo está relacionado com elas. Pensando por conseguinte que se alguém cuida dele, é porque ele é importante. E se não o fazem , é porque não é digno de ser amado e estar “mal” começa a fazer parte do seu estado psicológico. Quando isso surge, começa a formar-se a baixa auto-estima e uma série de etiquetas negativas, que o pequeno poderá levar consigo toda a vida.
Neste sentido, é importante saber que ter um filho tem-se muito mais responsabilidades do que lhe dar roupinhas bonitas e comida no biberão, tem-se que gostar dele, fazer com que se sinta amado. A auto-estima da criança não depende apenas do amor que os seus padres sentem por ele, depende sim que ele sinta esse amor. É por isso que os pais devem comunicar aos seus filhos esse amor, de todas as maneiras possíveis: com carícias, tons de voz carinhosos e suaves, brincando com ele e dizer-lhes constantemente quão importantes eles são.
Porque é importante cultivar a auto-estima positiva ?
É importante que as palavras e os gestos, tons de voz e atitudes em geral, passem a mesma mensagem. Dizer à criança que “gosto muito de ti”, enquanto se está a ver TV e mal-dispostos, só confunde a criança, causando-lhe inclusivamente um sentimento de angústia.
Por isso mesmo, é preciso ter cuidado com o que dizemos, sobre tudo quando estamos tensos ou mal-dispostos.
Se dizemos: “és tonto”; “sai daqui, tu não sabes fazer nada bem”, “já não te aguento ouvir”, etc. Toda a criança irá acreditar que essas frases são a sua imagem e o seu inconsciente irá traduzir isso como pensamento limitante, levando por conseguinte a uma baixa auto-estima. São os pequenos gestos e as palavras ditas de uma forma negativa que farão com que a criança forme uma imagem negativa de si próprio. Com o negativismo ela pensará “sou tonto, não sirvo para nada, não sou importante para ninguém, não valho nada”. Este auto-conceito completasse com a ideia, “se as pessoas que vivem não gostam de mim, ninguém poderá gostar de mim”.
Quando a criança se considera má, tonta, desobediente, etc. porque assim foi qualificada pelos seus entes queridos, irá comportar-se dessa mesma forma. E muito provavelmente, irá continuar a receber as mesmas qualificações e juízos, que a alimentaram durante os seus primeiros anos de vida.
Assim sendo, à medida que a criança vai crescendo, a sua auto-estima ou fortalecesse ou se debilita por completo, de acordo com as etiquetas que os outros lhe põe e o que esta põe a si mesmo, porque está convencido de que esse tipo de etiquetas lhe são “certas”.
As bases que os seus pais e as pessoas mais chegadas estabeleceram continuarão a ser as etiquetas mais importantes para a criança, mas vão-se juntando a novas mensagens de pessoas importantes para ele, como professores, amigos, família, etc.
Durante a vida vão-se juntando novas etiquetas que podem reforçar a auto-imagem da pessoa e acompanhá-la durante toda a vida, ou pelo contrário, ela poderá fazer para mudar o seu “destino interno”, caso tenha capacidade para o fazer.
Mudar a auto-estima de uma criança, é responsabilidade dos adultos que formam parte importante da sua vida, já que ele não tem capacidade para fazê-lo sozinho.
Contudo, quando somos já adultos, temos que reconhecer que o tipo de auto-estima que cada um de nós deseje, depende sobretudo de nós mesmos. Não importando como a baixa auto-estima se formou ou quem são os “culpados”.
Os pais fazem aquilo que sabem e que podem, mas na vida adulta é cada um de nós o responsável por modificar a sua própria auto-estima. Se queremos mudar, é a nossa decisão que importa e teremos que ser responsáveis por fazê-lo. Ou seja, quando adulto, se queremos mudar a nossa auto-estima, SIM NÓS PODEMOS!
Até já!



Sem comentários:
Enviar um comentário