Durante alguns instantes, Alma foi dominada pela surpresa. Só depois compreendeu o sucedido. O vice-presidente de uma multinacional de consultadoria aguardava-a num jantar oferecido aos principais executivos da empresa. Mas, a verdade é que Alma nem sequer pensara nisso: desde a manhã que escrevia uma exposição a um cliente e, à medida que as ideias e as palavras lhe começaram surgir sem dificuldade, tudo o resto lhe escapara.
“Estava a conseguir um rendimento tal”, recordou Alma mais tarde, “que cada frase, cada conceito que me ocorria se adequava perfeitamente. Mal me dava conta de tudo o resto”.
Alma Triner tinha conseguido entrar num “pico de concentração”, um termo frequentemente utilizado pelos atletas para descrever um estado de concentração tal que ficam imunes a distrações. Absorvida no seu projeto, Alma conseguiu ignorar toques de telefone, os sinais de fome e até o passar do tempo. E não só fizera um trabalho de grande qualidade como o fizera nu espaço de tempo mais curto que aquele que levariam outros colegas seus igualmente competentes.
A capacidade de dedicarmos uma atenção inabalável a uma tarefa poderá trazer-nos sucessos seja a que nível for. Pelo contrário, a incapacidade de manter a concentração poderá transformar um vencedor certo num derrotado.
O que temos que fazer para atingir o nosso máximo rendimento?
Os psicólogos que têm trabalhado no campo da maximização do rendimento e os neurologistas que têm estudado o que se passa com o cérebro em situações que onde nos colocamos no nosso estado mais produtivo, o chamado pico de concentração, fornecem-nos conselhos úteis:
- Praticar, praticar!
Com a pratica, conseguirá a concentração mental ser desenvolvida para a utilizarmos a trabalhar, tal como o exercício faz com os músculos?. Segundo o professor de psicologia Michael Posner, da Universidade de Oregon, desempenhar uma tarefa pela primeira vez aumenta o fluxo sanguíneo e a atividade elétrica do cérebro,
mas conforme os assuntos são dominados, o fluxo de sangue no cérebro e a atividade elétrica vai diminuindo. Michael Posner, diz que quanto mais praticarmos a concentração, menor será o nível de atividade cerebral de que necessitaremos. E que as capacidades mentais dominadas num determinado campo poderão ser transferidas para outros.
mas conforme os assuntos são dominados, o fluxo de sangue no cérebro e a atividade elétrica vai diminuindo. Michael Posner, diz que quanto mais praticarmos a concentração, menor será o nível de atividade cerebral de que necessitaremos. E que as capacidades mentais dominadas num determinado campo poderão ser transferidas para outros.
“A chave” afirma Louis Csoka, que deu aulas de concentração a futuros comandantes, “é aprendermos a vencer o barulho e as interferências, tanto internas como externas”. Por exemplo, se gostarmos muito de jazz, poderemos treinar ouvindo uma música e prestando atenção apenas ao saxofone alto, deixando de lado os restantes instrumentos e a voz. Se gostarmos de futebol, poderemos treinar observando apenas um dos jogadores.
- Siga um ritual
Em dias de operação, o cirurgião oral Al Steunenber levanta-se sempre à mesma hora, dirige-se ao hospital sempre pelo mesmo caminho e estaciona o seu automóvel sempre no mesmo parque. De seguida enfia a parte superior do seu fato esterilizado primeiro, depois as calças, e lava sempre a mão direita antes da esquerda, antes de deslocar-se para a cabeceira do paciente, onde fica sempre do mesmo lado.
Não se trata de superstição, ao seguir o seu ritual, este cirurgião está a concentrar-se na tarefa que se segue. No momento que vai começar a operar, já está completamente concentrado. “É como um atleta ou um padre antes de uma cerimónia”, explica um professor de Crescimento Humano. “Seguir hábitos facilita-lhes dedicar toda a sua atenção ao desafio que o espera. A atividade ritual recalibra a mente”.
- Invente desafios
Há mais de cem anos, o psicólogo William James declarou que o ser humano utiliza apenas uma ínfima parte do seu potencial. desempenhamos demasiadas tarefas rotineira e fastidiosas, em que o cérebro opera quase em ponto morto. O resultado poderão ser erros por descuido ou o arrastar de trabalhos entediantes por não conseguirmos atinar com eles.
Segundo a explicação de um académico, o estádio de concentração perfeito dá-se quando as nossas capacidades se adequam exatamente aos desafios que enfrentamos. “A forma de cumprimos uma tarefa aborrecida e simples com facilidade é torná-la mais difícil. Transformando uma tarefa aborrecida num desafio, conseguiremos aplicar todo o nosso potencial. Poderemos inventar regras, estabelecer objectivos, fazer contra-relógios”. O aumento das dificuldades poderá ajudar-nos a atingir a concentração ideal.
- Fale consigo
Ao instalar aquele sistema de irrigação gota-a-gota nas suas roseiras, repita para si mesmo: “ a linha do aspersor do tubo fica aqui, depois, a cerca de dois metros, a primeira saída…”. Esta verbalização mantê-lo-á concentrado na tarefa, reforçando os passos que for dando e recordando-lhe aquilo que é necessário fazer. Estes monólogos servem para abstrairmos a nossa mente de eventuais estímulos que nos distraiam.
As vantagens de falarmos connosco foram comprovadas numa atividade tão exótica como caminhar descalço sobre brasas. Ron Pekala, estudou 27 pessoas que tinham atravessado uma extensão de solo em brasa a uma temperatura de mais de 1200 graus. Aqueles que se tinham distraído acabavam com os pés queimados, mas os que se tinham concentrado, repetindo frases como “está frio, está frio”, saíram ilesos. A concentração nas palavras manteve-os sempre no mesmo nível de concentração, enquanto os outros a sua atenção foi desviada e por isso sofreram mais.- Esqueça o amanhã
A preocupação com os resultados desconcentra-nos, afirma a psicóloga Ellen Langer de Harvard. Quando deixamos que os nossos pensamentos voem para o futuro, perdemos a concentração do presente. A concentração no futuro e não no presente pode prejudicar qualquer atividade. “Um grande tenista pensa em ganhar aquela bola, não o jogo” afirma o psicólogo John E. Anderson, presidente do centro de psicologia desportiva de Nova York. “Uma boa bola, depois outra, dar-lhe-á a vitória no jogo”. Vários especialistas sugerem, para se manter concentrado, foque a sua atenção no “aqui e agora”.
- Faça interrupções
Por vezes, um pequeno intervalo pode ajudar-nos a desempenhar mais rapidamente uma tarefa. Sempre que o stress ameaça a concentração, respire fundo, imaginando-se num local calmo, ou incline-se para a frente, deixando cair os braços e descontraindo todos os músculos do corpo. O som poderá também ajudar, tente ouvir um canção que lhe faça sentir feliz e que saiba que o acalma. Mas assim que recuperar, é tempo de regressar à tarefa anterior, tentando não a deixar para trás.
Até já!



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